De Portas Abertas

Objetivo:

Acolher pessoas

Cidade:

Santana do Livramento - RS

Telefone:

(37) 9998.55570

Endereço:

Centro, Santana do Livramento - RS, Brasil

Categoria:

Visitados

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O projeto

"De portas abertas" é a casa de uma senhora de 80 anos, simpática, guerreira que a 50 anos se dedica ao próximo. Estamos falando da D.Maria Aparecida Nunes Ronchi que costuma não sentir a passagem do tempo. Ela não é ONG, instituição, empresa, não tem patrocínio, vinculo político ou religioso.


Os anos dedicados exclusivamente a cuidar de cada pessoa em situação de miséria que bate em sua porta, a faz se sentir melhor e criar forças para continuar. Ela chega a realizar 50 atendimentos em um único dia durante o período frio, fornecendo café da manhã, almoço, lanche e ceia.


Viúva e mãe de Paulo, um jovem senhor portador de Síndrome de Down, D.Maria Aparecida é descendente de espanhóis e sua forte educação se deve as boas condições econômicas de seus pais, bem como aos rigorosos anos de estudos em bons colégios. Com o nascimento de Paulo e a constatação de sua condição especial, seu destino seria reescrito com muito mais AMOR.


Profundamente ciente do problema da exclusão social de pessoas em similar condição à do seu filho, com o passar dos anos e na medida em que se envolvia cada vez mais com o trabalho social dentro de sua própria residência, D.Maria Aparecida não conseguia deixar de contemplar e dividir o que tinha com todos os que lhe pediam auxílio.


Posteriormente, com ajuda de outros Movimentos Sociais e com o apoio da comunidade e com os próprios sem teto que dá abrigo para prestar assistência aos pobres, somado aos escassos recursos que sua pensão e a do seu filho provêm; o trabalho só cresceu!


Flagelos causados pelo uso excessivo do álcool, drogas, doenças e distúrbios mentais, situações de abandono por perdas diversas e recorrentes em todas as faixas etárias, bem como histórias das mais variadas chegam à D.Maria Aparecida todos os dias, a toda hora.


Um pedaço de pão e uma xícara de café com leite é sempre o comitê de recepção que aguarda as vítimas de uma sociedade com quase nenhuma caridade para dar. O pouco que há está na mão de apenas alguns.


O exemplo desta grande mulher santanense pode ou não ser medido pela régua que classifica as ações das pessoas que guiam seus passos por ideais maiores que o seu "Eu egoísta", muito embora em todos os sistemas sociais a desigualdade é lugar comum, independentemente do regime de governo vigente.


Diferentes por natureza tal como suas impressões digitais, os seres humanos dominam o planeta em que habitam sem saber dividir, preservar ou mesmo estreitar verdadeiramente os vínculos entre comunidades, etnias, classes ou gêneros.


Sempre houve e sempre haverão pobres, excluídos e necessitados de acordo com suas condições. Diminuir essas diferenças tem se mostrado o maior desafio da nossa supercivilização de consumo, pois num sistema onde ainda perduram conceitos como a mão invisível de um mercado que se auto-regula, a igualdade revela-se uma tarefa quase impossível de ser atingida.


O simples fato de tratar iguais como iguais e desiguais como desiguais, paradigma básico do estado assistencial, é um fim em si mesmo que encontra dificuldades imensas de sucesso, mesmo quando os conceitos de igualdade, desigualdade e liberdade vem sendo constantemente dissecados.


Contudo, nossas interpretações da desigualdade estão começando a mudar, e embora as disparidades econômicas ainda sejam abissais, nossa sociedade está se tornando um pouco mais igualitária sob diferentes aspectos, entre eles no equilíbrio entre gêneros; no tratamento predominante dedicado as crianças, idosos, pessoas portadoras de necessidades especiais e minorias discriminadas; através de leis que asseguram direitos mínimos, como o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto do Idoso no Brasil e muitos outros avanços sócio-culturais como o reconhecimento dos diversos tipos de uniões homoafetivas. Cabe ainda destacar o esforço dos governos social-democratas de cunho assistencial ou de bem-estar social desempenhando papel central na redução das desigualdades, auxiliando as populações na educação, na saúde e na habitação, e financeiramente aos deficientes, os desempregados e os idosos.


Mesmo assim, ainda há muitas pontas soltas que frequentemente desfiam deixando cadeias inteiras de tecidos sociais em estado de precariedade, com uma burocracia cega, surda e muda aos apelos de pessoas em estado de marginalidade que precisam recorrer à caridade de seres humanos especiais como D.Maria Aparecida Ronch.


Pessoas como ela são um bem escasso na intrincada malha da individualidade e do egoísmo do século vinte e um e seu exemplo, independentemente de tratar-se de um sucesso de proporção apenas local, deveria pelo menos inspirar à geração atual, sobretudo para que os jovens compreendam que não podem furtar-se à tarefa de olhar com cuidado para os menos favorecidos, devendo abraçar sua responsabilidade na diminuição das diferenças sociais que impedem o desenvolvimento dos indivíduos carentes de maneira integral. Os jovens precisam – principalmente eles – redistribuir-se socialmente.


A tentativa de entender o que, afinal de contas, causa a pobreza, recorrentemente nos obriga a associá-la à falta de educação, pois o nível educacional claramente tem um efeito forte sobre o nível de renda; quem tem mais educação inevitavelmente vive melhor. Essa tal educação, maior distribuidora de capital estratégico, produz novos atores, novas dinâmicas, novos capitais que ampliam o conjunto de informações para o debate nacional, remarcando o caráter republicano da inserção social. Enfim, seres humanos esclarecidos, com renda alta ou não, conseguem atingir seus objetivos individuais, fato que, em suma, termina por ser o conjunto dos objetivos da coletividade humana.


Sob esse olhar, a aparentemente singela contribuição social de Maria Aparecida no seio de uma “pequena aldeia” aos olhos do mundo, pode ser entendida como o resultado desejável da soma de agentes como boa educação, ampla conscientização, predisposição humanitária e força de vontade; fatores que, em conjunto, apontam o caminho da melhor forma de evolução que o ser humano pode experimentar, em oposição direta ao desejo de riqueza e poder, faceta subentendida como natural na seara de valores deturpados dos pseudo libertários; arautos da sociedade do consumo pelo consumo.


Em definitiva, se uma educação de qualidade resulta em evolução para o homem, a consubstanciação das benesses que a instrução pode outorgar à existência humana fatalmente multiplicará, em progressão aritmética, o número de praticantes da talvez surrada fórmula do amor ao próximo, gerando um aumento em progressão geométrica do bem estar nas sociedades humanas. Maria Aparecida Nunes Ronchi é o exemplo vivo disso.

Quem faz acontecer

 D.Maria Aparecida Nunes Ronchi e amigos

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Faça uma visita, pois ela não tem telefone. Todos na cidade, conhecem essa linda senhora.

(Texto livremente inspirado em um trabalho apresentado em sala de aula da disciplina de Sociologia, do curso de Ciências Econômicas da Unipampa, com embasamento em conceitos extraídos do livro “Sociologia”, de Anthony Giddens)